sábado, 7 de agosto de 2010

Hoje vi uma velhinha em uma janela de um prédio. A cena era perfeita para uma fotografia. Uma senhora nos seus oitenta e poucos anos, olhando uma cidade cinza através da sua janela. Eu debaixo, observava uma senhora cansada do calor e com um olhar distante, apático e solitário. Seus caracóis brancos, suas olheiras fundas, seu corpo magro destacando-se em meio aos muitos prédios e muitas janelas. Bela e triste. Pensei então, em quão triste é a solidão na velhice...
Poucas horas antes, eu derramava algumas lágrimas observando um bebê de uns 8 meses no colo do pai. O pai estava sentado no ônibus com o bebê no colo, sentado sob seus braços e com o peito do bebê encostado ao seu. Devido ao calor, o pai põe então o menino sentado em sua perna e o menino logo mostra sua inconformidade começando a chorar. O pai então, volta a pôr o bebê com o peito encostado ao seu e o bebê recosta sua cabeça ao ombro do pai e com sua minúscula mãozinha, aperta fortemente a camisa do pai.
Por mais absurdo que possa parecer, me senti um bebê por um segundo e o cheiro do meu pai em seguida veio a minha mente. Pensei no amor fraternal, na dependência que o bebê tem do pai, nessa necessidade de estar perto do cheiro do pai.... e me senti só.

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